ENFERMAGEM NA GERIATRIA

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ENFERMAGEM NA GERIATRIA  

ENFERMAGEM

Introdução

O processo do envelhecimento é evidente e observado com facilidade apesar de sabermos pouco sobre este fenômeno que acontece com todos os seres vivos. O indivíduo idoso não constitui um ser marginal, mas exibe necessidades peculiares, de importâncias variáveis, que exigem atenção e conhecimento para tomar medidas e condutas que sejam adequadas para cada situação.

Envelhecer é um processo dinâmico, progressivo e inevitável, pois há mudanças morfológicas, bioquímicas, funcionais e psicológicas ocasionando maior predisposição a processo patológicos que acabam levando a morte.

Com o aumento da prevenção de doenças através de programas de saúde, avanço da medicina e avanços tecnológicos houve o envelhecimento populacional o que levou a ênfase aos estudos geriátricos e gerontológicos.

No Brasil o IBGE (2002) calcula-se que até 2025 15% da população total seja de idosos, no entanto os cuidadores específicos em relação à população idosa são precários, no que se diz respeito à sociedade pública o aumento da população idosa traduz-se em maior número de doenças degenerativas, crônicas do sistema cardiocirculatória, respiratória, neuropsiquiátrico, digestivo e ósteo-articular.

A desconsideração social, a dificuldade de subsistência, o desrespeito individual, o abandono familiar, a ausência de assistência á saúde, a falta de perspectiva de uma vida digna são fatos observáveis com exceção de sociedades onde existe forte conceito espiritual ou religioso, como em algumas tribos indígenas.

Em nosso país, a população em sua maioria e constituída por jovens, os estudos voltados aos idosos são recentes, a demanda por profissionais capacitados em trabalhos com os idosos é grande, já que nesta faixa etária os problemas de saúde são extremamente complexos exigindo a participação conjunta de diferentes áreas profissionais, determinado a importância e a significância social das profissões voltadas para essa área profissional.

Para. Filho Apud Netto (2000):

Atualmente, é de fundamental importância que o profissional interessado nesta área esteja atualizado nas peculiaridades anatômicas e funcionais do envelhecimento, sabendo discenir com máxima precisão os efeitos naturais deste processo (senescência) das alterações reduzidas pelas inúmeras afecções que pode acometer o idoso (senelidade).

Pensando nessa necessidade de aprimoramento profissional para o cuidado com o idoso, não podemos de deixar de enfatizar a importância do enfermeiro nessa fase da vida, destacando ainda o papel essencial na capacitação do cuidador do idoso.

Essa temática foi escolhida no intuito de mostrar como e porque o enfermeiro é fundamental na capacitação do cuidador do idoso, a atuação deixa de ser centralizada em um ou poucos profissionais e passa a ser dividida por aqueles que tem conhecimento, competência e eficiência característica que vão determinar a qualidade no cuidado do idoso.

O trabalho aqui apresentado trata-se de uma pesquisa bibliográfica, abordando diversos autores que discutem sobre o idoso havendo uma investigação exploratória, descritiva e qualitativa, visando a sensibilização do enfermeiro para o idoso, insistir na sua importância a fim de despertar em nossa sociedade e seus familiares a necessidade de valorização da promoção de saúde da faixa etária.

2. Revisão da literatura

2.1. História do Idoso

A velhice é permanente e a realidade eminente. Desde o princípio do mundo sempre se dava ênfase aos mais velhos pelo seu saber e experiência de vida. Assim sucessivamente passa de pais para filhos é uma constante, embora em períodos mais remotos os idosos eram tratados com mais dignidade e respeito.

Na sociedade primitiva os idosos eram valorizados pela sua capacidade física e os homens que se mantinham vigorosos mesmo na senectude /velhice tinham mais consideração social que os que apresentavam fraquezas, enfim as patologias que acometem o individuo na velhice.

Os valores religiosos e filosóficos desempenhavam um papel importante na valorização dos idosos nas diferentes sociedades. A crença da vida pós-morte e a intervenção dos espíritos de modo direto ou indireto, certamente contribuíram na atitude da sociedade primitiva para os idosos.

No Egito por volta de (3.000 a.C.), diversos documentos ressaltavam a obrigação dos filhos e de cuidar de seus pais idosos e de manter suas tumbas após a morte.

Os egípcios objetivavam uma vida longa e saudável. Viver 110 anos era um prêmio por uma vida equilibrada e virtuosa. E para conseguir este objetivo eles davam grande importância às medidas de higiene, como banhos, rituais de sudorese e vômitos.

Em (1.600 a.C.), encontramos o papiro cirúrgico de Edwin Sinith, contendo recomendações utilizadas ainda hoje como: compressão para o controle de hemorragias, seções especiais sobre doenças nos olhos e entre outros órgãos internos. Além das descrições clínicas este documento refere diversas fórmulas uma delas chama-se "O livro para a transformação de um homem velho em um jovem de 20 anos", o qual contém a prescrição e a formulação de um ungüento especial feito apartir de uma pasta mantida em um recipiente de semipedras preciosas e usadas em fricção para eliminação de rugas e manchas. Este documento é um dos princípios a tentar explicar as manifestações do processo de envelhecimento.

Em Israel a civilização era bem desenvolvida adotou as medidas de higiene e a prevenção quanto aos tratamentos de doenças. O povo judeu tinha um enorme respeito quanto aos idosos.

Segundo no livro de Bem Sirak (eclesiástico), escrito em (200 a.C.):

Tem conselhos apenas sobre o cuidado com os idosos, mas também aos cuidados necessários a paciente demenciados: "Meu filho, ajuda à velhice de teu pai, não o desgostes durante sua vida. Se seu espírito desfalecer sê indulgente, não o desprezes porque te sentes fortes, pois tua caridade para com teu pai não será esquecida", (Ecle, 3: 14, 15) ou máximas sobre a velhice como as seguintes: "Como acharás na velhice aquilo que não tiveres acumulada na juventude? Quão belo é para a velhice o saber julgar e para o ancião o saber aconselhar! Quão bela é a sabedoria nas pessoas de idade avançada... A experiência consumada é a glória dos anciãos!", (Ecle, 25:5-8).

Os políticos judeus também valorizavam a velhice, e do ponto vista legal, maltratar os pais era um crime que podia chegar a ser punido com a morte. O Sinédrio órgão máximo do povo hebreu era composto por 70 "anciãos do povo", homens ilustres, cujas filhas poderiam casar-se com sacerdotes.

O povo judeu tinha característica marcante no sentido religioso. Quanto às patologias eles tinham uma visão, quem era acometida por elas ficava demente estavam pagando pelos seus pecados vindo como um castigo ao pecador e seus descendentes.

Na Grécia o envelhecimento era horrível, pois representava um declínio na juventude. Mais o povo helênico tinha consideração e respeito aos idosos. Em Esparta foi criado o conselho dos cidadões idosos com 28 homens acima de 60 anos, que tinha o controle da cidade-estado, devido ao grau de sua experiência de vida e conhecimento.

Na antiga Roma, os idosos parecem ter respeitos. A instituição mais importante de poder, o Senado deriva seu nome por Senex (idoso), valorizando a experiência destes.

As figuras mais importantes do Império Romano foram Celsus (10-37 d.C.) e Galeno nascido na Grécia (129-200 d.C.), estes fizeram teorias sobre o envelhecimento e tratamentos quanto aos problemas ocasionados pela idade avançada e são tratados até hoje pelos gerontologos e eles ainda se debatem, depôs de 2.000 anos, por exemplo, em seu livro Gerontomica.

Segundo Galeno (129-200 d.C.):

Adverte O idoso deve ser aquecido e umedecido. Devem-se tomar banhos quentes, fazer dietas especiais tomar vinho e permanecer ativo. Quando se diz da necessidade de se cuidar da hipotermia entre os idosos e da hidratação, nada, mas é que repetir ao conselho de Galeno.

Na idade Média (500 – 1.500 d.C.), os idosos continuaram a ser bem tratado, mas é neste século obteve o surgimento das universidades para organizar o ensino médico e contribuir com a população.

A partir deste século começou a dar mais ênfase quanto às prevenções e as medidas de tratamento aos idosos. Foi abordado pelos dois filósofos que mais valorizaram a medicina preventiva aos idosos e advertia os mesmos em alguns de seus tratados para evitar excessos e medidas de higiene, beber vinho e fazer acompanhamento médico periodicamente.

No século X, cem anos mais tarde encontramos em Veneza a legislação que tributava em 10% as heranças para prestar assistência médica aos idosos e às pessoas incapazes.

A partir do século XVIII, as tacuínas textos elaborados no sentido de medicina, neles se destacavam vários recursos terapêuticos de origem vegetal e animal, estes textos encontram-se em bibliotecas de centros europeus (tacuinum de paris, Viena, Liége, Ruão, Roma), mas a sua origem é no norte da Itália (vale do Rio Pó) aonde se relata a função da manjerona pelos idosos melhorando a "obstrução do cérebro".

No Renascimento neste período a expectativa de vida aumentou, pois surge um interesse muito grande quanto ao processo de envelhecimento.

Segundo Grabriele Zerbi (1468 – 1505):

Escreveu um livro Gerontocomia, um manual de higiene para idosos e foi o primeiro livro impresso direcionado a geriatria. Zerbi argumenta que o idoso tem uma compleição especial, primeira fria e seca e posteriormente quente e úmida, definindo assim uma predisposição para mais de 300 patologias, ele orienta quais os lugares propícios dentro de casas para os idosos repousarem e uma adequada prescrição dietética.

Este autor defende muito o uso de leite humano na melhoria das condições dos idosos. Outro ponto que o autor descreve é quanto aos profissionais que quisesse se dedicar ao cuidar dos idosos, teriam que mudar o seu estilo de vida, passariam a ser conhecedores de medicina, moralizado, experientes, religiosos, limpos, moderados com a comida, bons hábitos e de boa aparência, estas seriam as características para um bom profissional, pois o seu estilo de vida passaria de exemplo aos pacientes.

A Era Moderna com os avanços da medicina, o envelhecimento começou a ganhar mais êxito. Com o ínicio da Revolução industrial e do Racionalismo, os autores começaram a comparar o organismo com uma maquina sujeito ao desgaste.

Segundo Darwin Appud Rush (1731 – 1802/1745 - 1813):

Propunha que o envelhecimento e a morte decorriam da incapacidade de irritabilidade uma menor resposta dos tecidos. Nesta mesma época o autor médico americano diz que as implicações do envelhecimento em si não são responsáveis pela morte, mas sim as doenças acometem ocasionando à morte. A velhice não é doença.

Na metade do século XIX a população idosa começou a crescer e o interesse médico começou a se especificar numa área dirigida aos idosos, começou a surgir à geriatria e a gerontologia que estuda somente a terceira idade.

Com o passar dos anos relatamos e observamos que a medicina e os cuidados ao idoso só vêm progredindo, e esquecendo quanto aos valores com eles só se preocupando no bem estar físico mais não emocional, deixando de lado os valores e os bons costumes.

No decorrer do século o respeito e a valorização quanto à sociedade idosa mudou e muito, foi se perdendo os valores e a consideração pelos mesmos devido à modernidade em que se encontra o mundo, a globalização, a individualidade do individuo, a independência financeira tudo isso ocasionou à perda de valores e bons costumes.

Na atualidade os idosos são tratados de forma sub-humana devido ao desrespeito, o abandono familiar, a ausência da assistência e a falta de expectativa de vida.

2.2. A Demografia do idoso

Segundo Brito & Ramos (1996 p.56):

Os idosos numericamente vêm aumentando significativamente nos últimos anos, pois a velhice é uma etapa do ciclo da vida, que uma parcela crescente da população brasileira vem alcançando e desfrutando por mais tempo, em virtude do aumento da expectativa de vida e do acelerado envelhecimento populacional do país nas últimas décadas. Esta mudança no perfil demográfico, iniciada na segunda metade dos anos 70, quando houve um declínio da taxa de natalidade, aponta que para o ano de 2025 existirá no Brasil, aproximadamente 30 milhões de idosos que representarão 15% da população total.

Segundo Leme (1997. p 33):

Os anos de 1975 a 2025 corresponderão á era do envelhecimento, marcada pelo crescimento demográfico da população idosa, o que decorre, principalmente do controle da natalidade e do aumento de gerontes já representa um grande problema, no futuro próximo, o Brasil viverá a mesma situação. As projeções estatísticas apontam que atéano 2025, ocuparemos o 6º lugar do mundo no que se refere á população idosa, modificando-se portanto a pirâmide populacional, conduzindo a um repensar sobre as políticas de saúde (reestruturação das ações de saúde), sociais e econômicas.

Segundo o Instituto Brasileiro Geografia e Estatístico (IBGE, 2000), tal fato se deve pela melhoria da qualidade de vida e conseqüentemente um aumento da expectativa desta, a diminuição das taxas de natalidade e fecundidade e a evolução tecnológica como procedimentos, diagnósticos e terapias cada vez mais sofisticadas contribuindo com a promoção, prevenção e o tratamento de certas patologias.

Mas os idosos apresentam transformações próprias nos seus aspectos biológico, psicológico e social, requerendo tipos de assistências diferenciadas especialmente em termos de saúde. Voltar à atenção á saúde ao idoso é um ato político que envolve diferentes atores sociais: gestores, sociedade civil organizada e a clientela de idosos, que em processo democrático, participativo, articulam-se entre si e negociam as tomadas de decisões para o enfrentamento do envelhecimento populacional.

2.3. O idoso e a família

Segundo Cabral (1998), apresenta a família como porto seguro aonde todos nós se refugia quando estamos precisando de ajuda e proteção e neste caso especialmente os idosos.

A família é um ponto de referência em todas as situações. É apontada pelos estudiosos do envelhecimento como o ponto chave para corresponder às questões como o bem-estar e a segurança, ela é o espaço aonde se encontra a intimidade e o segredo e dificilmente compartilhado ou exposto ao olhar externo.Motta (1998).

Segundo Motta (1998) no século XX, obteve muitas conquistas, uma delas foi à longevidade dos idosos que comparada antigamente viviam bem menos. A longevidade faz questões especificas, antes inexistentes ou despercebidas, por exemplo, à medida que as probabilidades de crianças tenham avós por um tempo maior que seus pais, haverá uma sobrecarga financeira para os (filhos adultos).

Segundo GOLDANI, (1999) o aspecto da longevidade implica em quatro gerações, que implica uma configuração intergeracional de duas famílias geriátricas, quando filhos de 62 anos se encontram mobilizados por seus pais de 85 anos.

No Brasil a questão da longevidade é assunto de saúde pública, com em outros países, extrapolam o fato da família e a vida privada.

Segundo SAAD (1999: p251):

Comenta que nos países desenvolvidos as funções familiares foram gradativamente sendo substituídas pelo setor público, reduzindo o papel central da família como suporte básico dos idosos. Este não é o caso, porém, da maioria dos países menos desenvolvidos, o Brasil entre eles onde a família (em especial os filhos adultos) continua representando fonte primordial de assistência à parcela significativa da população idosa.

Para GOLDANI (1999: p210):

No quadro de diminuição de recursos de Estado e da desmontagem do sistema de proteção social de emprego [...} o envelhecimento da população brasileira tem sido visto como uma sobrecarga para as famílias, o que é reforçado pela queda da fecundidade (menos filhos para cuidarem dos idosos) e pela participação das mulheres no mercado de trabalho (menos tempo).

Camarano e El Ghaouri (1999), questiona que a população idosa brasileira não é dependente dos seus filhos. A aposentadoria do idoso brasileiro está situada nos valores entre um salário mínimo a três salários mensais, os idosos estão desfrutando melhores condições de vida e saúde que se comparado com os adultos jovens de hoje em dia que estão passando por uma crise de desemprego, falta de oportunidades e violência urbana.

Segundo (SAAD, 1999), o suporte familiar quanto aos idosos será maior quanto ao número de filhos vivos, maior será a chance deles serem assistidos e dar apoio, pois, quanto menor o número de filhos, diminui a probabilidade de que os pais venham a ser assistido por eles, como também aumenta a carga, por filho de assistência aos pais, em uma sociedade cada vez menos solidária.

Segundo (PEIXOTO, 1994; SAAD, 1999), o apoio entre os idosos e a família é via de mão dupla, os filhos oferecem ajuda aos pais e os pais ajudam os filhos.

Segundo SAAD (1999: p255):

Comenta que no Brasil, o intercâmbio de ajuda entre pais e filhos tende a se estender ao longo de todo o ciclo de vida familiar, como se existisse uma espécie de contrato intergeracional estipulando o papel dos diferentes membros da família em cada fase do ciclo.

Segundo Goldani (1999), em estudos recentes sobre suporte familiar e social entre os idosos mostram de modo geral, os cuidados aos mais velhos são prestados por uma rede informal de apoio: suas famílias, cônjugues, filhos, parentes e na falta destes, por sua vez através de amigos e vizinhos.

2.4. O idoso e a legislação brasileira

2.4.1. Estatuto do idoso e seus direitos

Na constituição federal existe lei que protele o idoso quanto aos seus direitos e atribuições.

Decreto nº 1.948 de 3 de julho de 1.996.

Regulamenta a lei nº 8.842 de 4 de janeiro de 1.994 que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, e dá outras providências.

·O art. 2º e os incisos I, II e IV, referem sobre o direito do idoso a cidadania, a dignidade o direito à vida que todo o ser humano deve ser respeitado, sem distinção seja pela cor, raça, faixa etária, sexo enfim entre outras discriminações.

·O art.3º no parágrafo único declara que todo o idoso tem o direito de asilar é um dever do estado de abrigá-los tendo ou não condições financeiras.

·No art. 4º e os incisos I, II, III e IV, refere-se á priorização do atendimento ao idoso em órgãos públicos e privados prestadores de serviços que compete ao governo, estado, município de realizarem centro de convivência à 3º idade para abrigá-los e desenvolver atividades aos mesmos, e assim priorizando o bem estar e até um aumento qualitativo da renda dos mesmos.

·O art. 9º e os incisos I, II, III, IV, VII, VIII, IX, XI, XII, XIII, competem que é um dever do poder público desde federal, estadual e municipal de realizar um atendimento específico dos idosos nas unidades básicas de saúde – SUS, com uma equipe especializada em geriatria e gerontologia, tendo assim um atendimento de equidade, qualidade e humanizada.

·Art. 15º parágrafo único, compete que os ministérios dentro da sua competência promover a capacitação de recursos humanos voltados para o atendimento ao idoso.

·Art. 17º parágrafo único, refere que o idoso tem o direito à assistência preventiva, protetiva e de recuperação por meio do Sistema Único de Saúde – SUS.

·Art. 18º parágrafo único, compete que o idoso que não tiver condições de permanecer no asilo devido à enfermidade crônica e precisar de cuidados médicos deverá ser transferido há um hospital para este mão vim há óbito e os demais conseqüentemente.

Outro destaque é a criação do conselho do idoso, criado pela Lei nº 218, de 26.12.91, ao qual recebeu do estatuto os encargos de fiscalizar as entidades privadas prestadores de serviços de assistência aos idosos.

No dia 27 de setembro de 1997, foi criado o dia do idoso, com a Lei nº 1.479, de 17 de junho de 1997.

Com esta pequena síntese do "Estatuto do Idoso" que foi elaborado podemos analisar que é lamentável a situação em que se encontra o idoso no Brasil e não pela legislação, pois, ela é farta, mas mal elaborada ou simplesmente descumprida. É necessária a mobilização social para o devido respeito ao idoso, exigindo principalmente do poder público a implementação da Política Nacional do Idoso.

2.5. O processo do envelhecimento

Segundo Carvalho (1983), o processo de envelhecimento são muitas as perspectivas através das quais podemos observar, estudar e analisar. E entre elas são: histórica, sociológica, cultural, psicológica, religiosa, biológica, demográfica, nutricional, habitacional, legal etc...

O envelhecimento é um processo que apresenta algumas características: é universal por ser natural, não depende da vontade do individuo, todo ser nasce, desenvolve-se, cresce, envelhece e morre. A vida é um constante processo de modificações e a cada fase de seu desenvolvimento ocorrem transformações múltiplas acompanhadas de seus próprios desafios. É irreversível, apesar de todo o avanço da medicina em relação á descobertas e tratamentos das doenças, as novidades farmacológicas, o desenvolvimento de técnicas estéticas etc... Nada impede o processo de envelhecimento. Carvalho (1983).

Segundo Kya Kych Metchnikov (1845-1916):

Prêmio Nobel de medicina de 1908 acreditava que o processo do envelhecimento era resultado de venenos produzidos no intestino grosso pela deterioração dos alimentos. Preconizava a ingestão regular de leite e iogurte e o hábito de usar laxantes com freqüência, hábitos que ocasionaria a esterilização do intestino.

Segundo Silvestre (2002), de fato o processo de envelhecimento existe vários conceitos e explicações para o tal, mas uma coisa que deixa claro que há muita dificuldade para entender o mesmo. Podemos concluir que o envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo, no qual haverá modificações fisiológicas, bioquímicas e psicológicas que acarretára da perda progressiva do individuo e adaptação ao meio e maior vulnerabilidade do individuo se acometer por patologias que poderá ocasionar a morte. Na verdade não há uma definição exata de como ocorre e porque ocorre o processo de envelhecimento, e não há um método específico para tal de não progredir.

2.6. Conceito do envelhecimento

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS):

O conceito de envelhecimento ativo consiste em levar na medida que envelhecemos uma vida produtiva e saudável na família, na sociedade e na economia. Neste sentido devemos levar em conta todas as dimensões da atividade física, mental, social e espiritual.

Segundo Beauvoir (1990), o conceito de envelhecimento é um processo que ocorre no percurso da vida do ser humano, iniciando-se com nascimento e terminando com a morte.

Segundo Martins (2002), o conceito de envelhecimento pode ser considerado abstrato, porque é uma categoria criada socialmente para demarcar o período em que os seres humanos ficam envelhecidos, velhos ou idosos.

Segundo Sá (2002 p. 1120):

O idoso é um ser de seu espaço e de seu tempo. É o resultado do seu processo de desenvolvimento, do seu curso de vida. É a expressão das relações e interpendências. Faz parte de uma consciência coletiva, a qual introjeta em seu pensar e em seu agir. Descobre suas próprias forças e possibilidades, estabelece a conexão com as forças dos demais, cria suas forças dos demais, cria suas forças de organização e empenha-se em lutas mais amplas, transformando-as em força social e política.

2.7. Fisiologia do idoso

Segundo Filho & Netto (2005), o envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo aonde o ser humano passa por várias alterações como morfológicas, funcionais e bioquímicas.

Segundo Confort (2005, p 635) o envelhecimento se caracteriza por uma redução da capacidade de adaptação homeostática ás situações de sobrecarga funcional.

Segundo Filho & Netto (2005), a terceira idade passa por alterações anatômicas e funcionais. Como a perdada estatura e peso, que por sua vez a altura mantém-se até os 40 anos. A partir dessa idade reduz-se à cerca de um centímetro por década até os 70 anos, quando a redução é provalvemente maior. Esta diminuição ocorre pelo fato das alterações osteoarticulares da coluna, caracterizada por achatamento das vértebras. O peso em idosos ocorre após os 60 anos de idade. Pelo fato de manter-se inalterado ou elevado, se deve ao acúmulo de gordura.

Segundo Filho & Netto (2005) a composição corpórea altera-se com o desenvolvimento e o envelhecimento em ambos os sexos. A água é o principal componente ela corresponde a 70 % do organismo na criança, no adulto jovem 60% e no idoso 52%. Esta diminuição do adulto jovem quanto ao idoso se deve pelo fato da diminuição celular. Quanto ao idoso podemos considerar um individuo desidratado crônico, devido pela perca de água no organismo.

Durante o envelhecimento todos os tecidos do organismo sofrem alterações, varia de intensidade dependendo do indivíduo e do tecido, nota-se em algumas pessoas essas modificações predomina em alguma parte do organismo ou em outras localizações. O sistema colágeno é a proteína mais encontrada no organismo. Com o envelhecimento mais colágeno é formado, surgem ligações cruzadas na molécula e há maior resistência á ação da colagenase. Em conseqüência aumenta a rigidez dos tecidos e há maior dificuldade de difusão dos nutrientes dos capilares para as células e dos metabólitos das células para os capilares, o que ocasionaria deterioração progressiva da função celular.

Segundo Filho & Netto (2005), o sistema elástico é o componente do tecido conectivo responsável pela sua elasticidade. Ele se distribui mais seletivamente que o colágeno, encontrando-se em maior quantidade nos tecidos e órgãos que tem mais articulação que sofre tração extensão como pele, parede arterial e pulmão.

Com o envelhecimento ocorre alteração mais evidente nas fibras elásticas maduras, ocorre um aumento na quantidade de fibras elásticas, alterando na sua composição de aminoácidos, fragmentação e irregularidade de forma, além do depósito de cálcio. Tais alterações determinam mudanças nas características funcionais das mesmas, ocasionado redução da elasticidade dos tecidos que as contêm. Na pele envelhecida podemos observar é a fragmentação das fibras elásticas. As tortuosidades significam que as fibras foram esticadas e a seguir perderam a elasticidade, determinando como conseqüência dobras ou rugas.

Segundo Filho & Netto (2005) o sistema nervoso é a peça principal para qualquer organismo, é nele a integração das atividades orgânicas, os centros reguladores localiza-se no cérebro, quanto aos idosos um homem de 70 anos de idade tem uma redução de 5% do peso cerebral e aos 90 anos reduz a 20%. A atrofia é observada na camada cortical como na substância branca.

Segundo Brody (2005 p.256):

Mostrou que o individuo tem armazenado cerca de 10 bilhões de neurônios, sendo que a partir dos 25 a 30 anos de idade há uma perda diária de 50.000 a 100.000. Esta perda celular é maior no córtex e menor no tronco cerebral, onde, geralmente se localizam os centros reguladores da homeostase.

Nos neurônios ocorre a sinapse a liberação dos neurotransmissores e com o envelhecimento há uma diminuição da liberação dos mesmos. Os idosos têm uma sensibilidade diminuída quanto ao tato, a temperatura do ambiente e suas variações devido à alteração que ocorre com os receptores cutâneos ou esterorreceptores e os remanescentes.

Segundo Filho & Netto (2005) o envelhecimento altera todo o sistema endócrino principalmente as glândulas hormonais, receptores hormonais e nas células alvo. O hormônio do crescimento é produzido pela hipófise tem um papel importante na ação protéica e na lipólise, estimula o crescimento tecidual, sendo o efeito mediado pelas somatomedinas produzidas no fígado sob sua estimulação. No envelhecimento os níveis basais de somatomedinas estão diminuídos sendo crescimento em idosos durante seis meses, verificouapós progressiva com a idade.

Segundo Rudman (2001:56):

Administrou hormônios de esse período aumento da espessura da pele da massa muscular esquelética e da densidade de alguns ossos. Este resultado demonstrou a preconização de uso de hormônio de crescimento para reverter algumas manifestações do envelhecimento.

2.8. O papel do enfermeiro na capacitação do cuidador do idoso

Segundo Rodrigues & Routh (2002, p.56), se não houver recursos humanos treinados especialmente para atender os idosos, não haverá uma atenção integral, integrada, digna e eficaz.

Segundo Rodrigues & Routh (2002), em relação aos profissionais que compõem a equipe de saúde para dar assistência à população idosa, torna-se premente investir na sua capacitação para que interdisciplinarmente façam intervenções adequadas no processo saúde-doença. Não se pode esquecer que esta equipe é quem faz a intermediação entre a unidade de saúde ou home-care ou hospital ao usuário, cabendo-lhe o papel de colher informações importantes para assumirem tamanha responsabilidade.

Segundo a Política Nacional de Saúde do Idoso (1999):

Dispõe: o desenvolvimento e a capacitação de recursos humanos constituem a diretriz que perpassará todas as demais definidas nesta política de forma que o setor saúde possa dispor de pessoal em qualidade e quantidade adequadas, e cujo provimento é de responsabilidade das três esferas de governo.

Segundo Rodrigues & Routh (2002), na área da capacitação os enfermeiros evidenciam um grande desafio a ser enfrentado, pois, tenderá a capacitar não só equipe dele, mas realmente quem ficará com o paciente idoso no âmbito domiciliar e neste caso serão os familiares ou uma própria pessoa desconhecida e que ocupará o cargo de cuidador.

Segundo Menezes (1998), o cuidador apresentará muitas vezes a necessidade de incorporar a nova realidade ao seu cotidiano, muitas vezes árdua e desgastante, conforme o que o idoso doente apresenta, e conviver com ela.

Outro ponto que a enfermagem irá se debater várias vezes será a sobrecarga do cuidador, a enfermagem entra neste ponto da seguinte forma acompanhar o cuidador no domicílio, prestar uma assistência efetiva e proporcionando a este um acolhimento de forma digna ao serviço de saúde, colaborar com o familiar este que por sua vez não tem experiência no ramo e ajudá-lo a desenvolver habilidades, conhecimento para lidar com a demanda de cuidados que a doença do idoso exige em meio ao cotidiano. Torna-se importante, a enfermagem contribuir com o cuidador para que o cuidar não se torne desgastante, e que o cuidador terá que "driblar" de forma cansativa os fatores geradores de sobrecarga. Outro ponto seria a relação do cuidado entre o cuidador e a enfermagem, necessite de um envolvimento maior entre ambos, que possibilite o conhecer as possibilidades do que ambos tem a oferecer em termos de necessidades e expectativas para que assim ocorra uma resolutividade nas ações voltadas ao idoso na esfera domiciliar. Outro fato seria de conversar com a família, orientar quanto à sobrecarga de uma pessoa só de realizar as atividades no caso deste cuidador ser um familiar, fazê-los com que façam um remanejamento entre eles, e que a equipe de enfermagem fica ciente de mais de um cuidador.

A enfermagem abrange todos aspectos, como os cuidados, a capacitação, as orientações e a própria supervisão com tudo o enfermeiro só tem de proporcionar o bem-estar físico e bio-psico-social, pois o cuidador tendo a capacitação conseqüentemente as questões patológicas vão degredir, por exemplo, a depressão é uma das doenças que mais acomete o idoso devido ao isolamento, e se este idoso possuir um cuidador capacitado o mesmo irá trabalhar na sua auto-estima proporcionando a comunicação, obtendo assim um resultado positivo da sua patologia.

3. Metodologia

Esta pesquisa utilizou-se de vários livros envolvendo diversos autores, obtendo assim a opiniões diversas sobre a temática abordada.

O material utilizado para a elaboração deste trabalho foi disponível na biblioteca da Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB), artigos científicos e endereços eletrônicos.

Trata-se de um estudo bibliográfico, exploratório, descritivo, numa abordagem qualitativa, que teve como objetivo descrever e citar as contribuições dos autores quanto à temática, foi realizado primeiramente uma leitura exploratória e selecionando as opiniões e conseqüentemente pesquisando vários autores. Segundo Gil (1996) "o desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica varia em função de seus subjetivos".

4.Discussão

Segundo Leme (1997), os anos de 1975 a 2025 corresponderão à era do envelhecimento, marcada pelo crescimento demográfico da população idosa, o que decorre, principalmente do controle da natalidade e do aumento de gerontes já representa um grande problema, no futuro próximo, o Brasil viverá a mesma situação. As projeções estatísticas que até no ano de 2025 ocuparemos o 6º lugar do mundo no que se refere à população idosa, modificando-se, portanto a pirâmide populacional conduzindo a um pensar sobre as políticas de saúde.

O envelhecimento é um processo que apresenta algumas características: é universal por ser natural, não depende da vontade do individuo, todo ser nasce, desenvolve-se, cresce, envelhece e morre. Carvalho (1983)

Segundo Rebelatto & Morelli (2005), a compreensão da qualidade de vida na terceira idade é central ao desenvolvimento de iniciativas de intervenção visando à prevenção e à reabilitação nos vários contextos da vida do individuo e também ao planejamento e avaliação de serviços e políticas destinadas a promover o bem-estar dos idosos.

Segundo Rebelatto & Morelli (2005), envelhecer bem depende, em parte, da capacidade de mudar o ambiente para poder viver melhor. O que os idosos pode fazer para contribuir com a sua qualidade de vida seria uma melhora da relação com o ambiente físico e social.

CONCLUSÃO

O envelhecimento é um fenômeno extremamente complexo, que pode ser influenciado por inúmeros fatores dos quais ainda permanecem obscuros.

Os idosos constituem o grupo etário que vem crescendo gradativamente no Brasil. E estes por possuírem uma imunidade biológica precária são os portadores de múltiplas afecções e nessa faixa etária são comuns às demências, os acidentes vasculares cerebrais coronopatias, diabetes mellitus e várias outras doenças cronico-degenerativas que causam dependências físicas, psíquicas e geralmente definitivas.

As disfunções encontradas nos idosos devem ser interpretadas como conseqüência da excessiva demanda do sistema fisiológico incapaz de supri-la ou pela existência de patologias que podem estar camuflados nesta faixa etária.

Para abordar clinicamente o paciente idoso devem-se empregar técnicas adequadas que possam trazer informações detalhadas e precisas para oferecer um atendimento adequado a pessoas de idade avançadas deve-se ter conhecimento do processo de envelhecimento e toda a sua complexidade, embora as doenças encontradas no idoso sejam quase as mesmas de outras faixas etárias, o paciente idoso apresenta um comportamento clínico diferente, o que dificulta um diagnóstico correto.

Somados e derivados aos direitos concernentes a condição de ser humano, o idoso tem direitos como cidadão, pois contribuiu por muitos anos de várias maneiras para a sociedade garantindo assim um tratamento privilegiado por parte do estado conforme o Estatuto do Idoso (1996), e das diversas estruturas sociais, ainda a respeito da terceira idade em sociedade é importante o relacionamento idoso e família são comum situações em que a família insiste em considerar o idoso como incapacitado.

O processo de envelhecer é a plenificacão do ciclo da vida, ele não deve ser ocasionando, negado, deve-ser compreendido afirmado e experimentado como um processo de crescimento pelo qual o mistério da vida se revela.

A função do enfermeiro é muito importante em relação à capacitação dos cuidadores, pois, a enfermagem que irá treinar, educar, supervisionar, auxiliar quanto ao processo saúde-doença, pois se não há uma equipe de saúde, e nesta não contendo um enfermeiro para fazer a capacitação dos mesmos não tem como prestar um atendimento qualificado.É certo que o idoso necessita de atenções específicas e significativas, concernentes ao seu cotidiano.

O exercício de cuidar do idoso no domicilio é um aprendizado constante, baseado nas necessidades físicas e biológicas de acordo com o nível de dependência do idoso. Na maioria das vezes se torna difícil, pela inexperiência do cuidador, atender as demandas que vão surgindo no transcorrer do processo do cuidar e que necessitam ser aprendidas no enfrentamento do cotidiano e sendo orientados pela enfermagem.

O enfermeiro é fundamental na educação para a preparação e cuidado no envelhecimento e morte, muito mais importante que acrescentar anos à vida e acrescentar vida aos anos.

 

 
   

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